Antologio

Liberalismo ⊻ 👨‍⚖️ direito a ser feliz / Instituto Liberal

Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo V: "A Concepção Negativa de Felicidade".

Por não disporem de conhecimento concentrado proporcional ao excessivo poder que precisam enfeixar, e por configurarem claro atentado à liberdade, as tentativas dirigistas se revelam ineptas quando se propõem a especificar os caminhos que devem ser trilhados pelos indivíduos para que possam ser felizes. Ninguém, nenhuma autoridade, sabe o que pode tornar alguém feliz. E mesmo que o soubesse, não teria direito de impor rumos. Livres são os caminhos que os indivíduos escolhem a partir do cálculo de suas necessidades, interesses, desejos, etc. Dada a singularidade existencial de cada um de nós -- Individuum est inefabile -- o pouco conhecimento que se tem sobre o outro e a dispersão do total de conhecimento que circula entre os diferentes indivíduos, nenhuma autoridade tem como efetivamente saber como cada um de nós pode ser feliz, e pouco ou nada pode positivamente fazer por nossa felicidade. Acreditar-se detentor da maiêutica libertária, via construtivismo jurídico e engenharia social holista, favorece a afirmação de atitudes políticas que se revelam eticamente condenáveis por se acreditarem detentoras do direito de obrigar as pessoas a serem felizes de uma maneira que não escolheram. Como só os indivíduos podem ser felizes, e exclusivamente à sua maneira, seria inócuo ou pernicioso o projeto que ambiciona planejar coletivamente sua felicidade. Se o indivíduo não for feliz, a sociedade não terá como sê-lo. Só subordinando a felicidade perseguida por cada um dos indivíduos a uma fictícia felicidade coletiva, hipostasiada como uma finalidade transcendente à vida dos agentes, pode-se ter a veleidade de pretender exercer amplo controle dos comportamentos a pretexto de tornar as pessoas (mais) felizes.

Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo II: "A Concepção Negativa de Liberdade".

Não se acreditar possuidor de padrões sistêmicos geradores de Certezas e de Verdades leva o liberal a ver com desconfiança as posições político-econômicas que se dizem capazes de implantar modelos indefectíveis de convivência construídos com base em teorizações definitivas capturadoras das essências.

Alberto Oliva. Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético: a Negatividade como Fundamento da Visão de Mundo Liberal, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1993. Capítulo "Conclusão".

Um autêntico liberal não conserva teorizações que tenham entrado em conflito com a experiência, por mais que tenham sido produzidas com o desvelo de anos de trabalho. Não aceita prescrições legais (positivas) que limitem o exercício da liberdade, nem a hipertrofia das funções e poderes do Estado, que reduz drasticamente o campo de atuação potencial abarcável pelo livre empreendimento individual. Rechaça, outrossim, receituários de felicidade exarados por autoritários e demagogos que se arrogam a querer nos ensinar a ser o ideal deles, desconhecendo solenemente a alegria e o sofrimento singulares de vivermos prisioneiros de nossa identidade inalienável.

blog